Na sessão solene desta quinta, o presidente da Câmara voltou a fazer referência indireta à imprensa, atribuindo tratamento “maldoso” ao jornalista e advogado Ederivaldo Benedito. Esse movimento de desacreditar a cobertura factual fere o dever constitucional de transparência e compromete a relação institucional que o Legislativo deve manter com a sociedade.
Em vez de reconhecer os excessos cometidos na sessão anterior, o presidente recorreu a elementos identitários e biográficos para deslocar o foco. Trata-se de estratégia que não elimina o dever jurídico de agir com imparcialidade, autocontenção e respeito ao contraditório no exercício da função pública.
Embora a trajetória pessoal e racial seja pauta legítima em debates sociais, seu uso como mecanismo de autodefesa diante de questionamentos sobre conduta funcional fragiliza a posição institucional da presidência da Câmara. Nenhum dado biográfico reduz a obrigação de observar impessoalidade e equilíbrio na condução dos trabalhos legislativos. A pauta racial não pode servir como instrumento para afastar a análise objetiva de um ato público praticado no exercício do cargo.
É essencial lembrar que a Câmara não é espaço para ataques pessoais nem para narrativas que tentem encobrir comportamentos incompatíveis com a função pública. Na sessão anterior, o presidente ultrapassou limites ao reagir a críticas sobre a Emasa e dirigir ao jornalista Paulo Índio, de 82 anos, a ordem ofensiva para que “colocasse uma melancia na cabeça”. A referência foi direcionada apesar de ele não citar nomes, já que apenas Paulo Índio, Charliane Sousa e Ederivaldo Benedito haviam produzido vídeos sobre o tema e somente Paulo estava presente no plenário.
A conduta viola princípios da dignidade humana, da moralidade administrativa, do decoro e da urbanidade, além de carregar simbolismo racial historicamente ofensivo. É incompatível com o exercício de função pública.
O Legislativo só preservará sua credibilidade se houver restabelecimento do decoro, compromisso com o regimento interno e respeito efetivo à sociedade e à imprensa. O dever institucional permanece acima de qualquer discurso. al capaz de substituir esse dever.
Vídeo do Vídeo do presidente da Câmara sessão solene 04/12/2025

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