Se tem carnaval, que o povo vá mesmo. Dance, cante, ocupe a rua. Afinal, o dinheiro é público, é seu, é nosso. O problema não é a festa. O problema é quando ela vira prioridade número um, enquanto o resto da cidade segue em modo “aguarde”.
A FICC homologou um contrato de R$ 3,42 milhões para locação de trios elétricos. Está no Diário Oficial. É legal, é formal, é publicado. O curioso não é o trio. É o momento do som.
Ano eleitoral costuma ter um dom especial. De repente, as máquinas aparecem só no circuito. A iluminação funciona melhor perto do palco. A alegria ganha microfone. E a primeira-dama desponta como pré-candidata, embaladinha por uma trilha sonora conveniente. Nada ilegal. Só extremamente oportuno.
Enquanto o trio faz duas voltas, a Feira do São Caetano completa três anos parada, firme, resiliente e esquecida. No Hospital de Base, faltam insumos e medicamentos, mas sobra discurso. As ruas seguem cheias de buracos, ótimos para testar suspensão, não para trafegar. A conta de água aumentou. Os salários dos vereadores também, porque prioridade é prioridade.
O trio passa, o povo acena, a câmera registra. A política sorri. O marketing agradece.
Só que gestão pública não é refrão chiclete. Não se repete até colar.
Nem tudo merece duas voltas. Nem candidatura por osmose festiva. Porque carnaval acaba no domingo. A conta fica. E a memória do povo também, mesmo quando tentam cobrir com confete.
Divirtam-se na festa.
Mas não esqueçam de perguntar quem está dançando por alegria e quem está dançando por voto.

Deixe um comentário