A Feira do São Caetano sempre foi o sustento de centenas de famílias. Gente simples, trabalhadora, que nunca pediu favor, só condições de trabalhar com dignidade. Hoje, o que se vê é abandono, adoecimento e desespero.
Dois açougueiros da feira, Evandro e Sivaldo, conhecidos por sempre honrarem seus compromissos, sofreram AVC depois de um período de pressão emocional, aperto financeiro e insegurança. Não foi do dia para a noite. Foi o peso de meses sem renda, sem apoio e sem resposta.
Sivaldo está acamado, precisando de cuidados básicos, inclusive fraldas, que vêm sendo garantidas pela solidariedade de amigos. Um trabalhador que sempre sustentou sua família hoje luta para sobreviver.
E eles não estão sozinhos. A realidade de muitos feirantes hoje é dura:
- vendas despencaram,
- dívidas se acumularam,
- a saúde foi afetada,
- o emocional está no limite.
Enquanto isso, a Câmara Municipal está em recesso. Vereadores longe do povo, longe da feira, longe da dor. Nos últimos dias, a maior movimentação do Legislativo não foi para socorrer quem precisa, mas para aumentar os próprios salários.
E do outro lado, a cidade assiste ao prefeito fazer festa, promover eventos e celebrar, como se estivesse tudo bem. Como se não houvesse trabalhadores adoecendo, famílias quebradas e gente sendo esquecida.
A Feira do São Caetano não adoeceu sozinha. Ela foi adoecida pela falta de cuidado, pela ausência de política pública e pelo desprezo com quem construiu esse espaço com anos de trabalho.
A pergunta que fica é simples e incômoda:
até quando a festa vai continuar enquanto o povo sofre?
Porque uma cidade que fecha os olhos para seus trabalhadores não está avançando. Está falhando.

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