Falhas recorrentes em equipamentos do Hospital de Base contrastam com a rapidez na organização de grandes eventos e levantam questionamentos sobre prioridades administrativas
O funcionamento adequado da saúde pública depende, de forma direta, da confiabilidade de seus equipamentos. No Hospital de Base de Itabuna, o serviço opera sob instabilidade recorrente, com registros de falhas frequentes em máquinas essenciais, paralisações pontuais e necessidade constante de manutenção corretiva.
A repetição desses problemas indica fragilidade estrutural, ausência de manutenção preventiva eficaz, contratos insuficientes ou planejamento inadequado do parque tecnológico hospitalar. Em serviços de alta complexidade, esse cenário compromete a previsibilidade do atendimento e expõe riscos incompatíveis com a natureza essencial da saúde pública.
Paralelamente, o município avança de forma acelerada na organização e divulgação de grandes eventos festivos, com forte mobilização administrativa, financeira e comunicacional em curto espaço de tempo. Essa rapidez contrasta com a lentidão na solução de problemas estruturais da rede de saúde.
A Constituição Federal garante a saúde como direito fundamental e impõe ao poder público o dever de assegurar seu funcionamento regular antes de qualquer ampliação de gastos não essenciais. Investimentos em cultura e eventos são legítimos, mas encontram limite quando serviços vitais operam no improviso.
A coexistência de equipamentos instáveis na principal unidade hospitalar do município com a pressa na execução de eventos expõe uma inversão de prioridades que merece análise institucional. Em contextos de restrição orçamentária, a escolha do que se faz primeiro é uma decisão administrativa com efeitos jurídicos e sociais.
Cabe aos órgãos de controle avaliar se as prioridades adotadas pelo poder público estão compatíveis com o dever constitucional de proteção à vida, à dignidade e à saúde da população

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