Influenciadores que, juntos, somam milhões de seguidores nas redes sociais relataram terem sido procurados por interessados em difamar os envolvidos na liquidação do Banco Master, em especial o Banco Central (BC). O objetivo da campanha seria abalar a credibilidade das autoridades na operação e, com isso, tentar uma possível reversão da medida no Tribunal de Contas da União (TCU).
Com mais de 1,5 milhão de seguidores, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) foi um dos abordados. Ele chegou a assinar um contrato de confidencialidade para acessar os termos da proposta, que prometia remuneração de “milhares de reais”, sem especificar valores exatos.
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Segundo o vereador, o intuito seria blindar o banqueiro Daniel Vorcaro e o círculo de políticos que ele teria articulado em Brasília. “Sim, se Daniel Vorcaro cair, muitos políticos caem junto”, afirmou em vídeo no Instagram. Ao compreender o teor das publicações exigidas, Gabriel recusou a proposta e encaminhou os documentos à colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que vem publicando uma série de reportagens sobre o caso.
Pico de posts em dezembro
Os alvos preferenciais das postagens seriam, além do BC, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a Febraban já vinha sentindo os efeitos de uma campanha coordenada desde o final do ano passado. Um levantamento da Febraban indica que o pico dos ataques ocorreu em um intervalo de 36 horas, entre os dias 26 e 29 de dezembro, estendendo-se até 5 de janeiro.
Um dos focos das críticas é Renato Dias Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, responsável por negar a compra do Banco Master pelo BRB. Uma das peças de desinformação dizia: “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos e joga conta bilionária no seu colo”. A narrativa buscava reforçar a ideia de uma decisão precipitada do BC, que resultaria em prejuízo aos cofres públicos.

A influenciadora Juliana Moreira Leite, que também possui um milhão de seguidores, foi outra a denunciar a abordagem. “No mesmo dia em que recusei, vi muitos influenciadores questionando por que o Banco Master foi liquidado. Tem gente que tem preço e tem gente que tem valor”, declarou em suas redes sociais.
O BC e a Febraban foram procurados para se manifestar, mas ainda não responderam. A reportagem não conseguiu contato com os influencers envolvidos nem com o Banco Master. O espaço segue aberto.
Inspeção do TCU
As postagens da campanha centralizam decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou na segunda-feira uma inspeção urgente no BC para apurar a decisão que levou à liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro.
A medida foi iniciativa do ministro Jhonatan de Jesus, que quer examinar documentos, reconstruir o processo decisório da autoridade monetária e avaliar se houve motivação, coerência e proporcionalidade no caso.
O Banco Master está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB) que podem chegar a R$ 12 bilhões, o que culminou na decretação da liquidação pelo Banco Central. O ministro do TCU afirmou que, neste momento, não cabe uma decisão cautelar para reverter o processo, mas deixou claro que essa possibilidade não está descartada.
Contrato milionário
A teia de acontecimentos em torno da liquidação do Master teve um importante desdobramento: a descoberta de um contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, de acordo com uma das provas apreendidas pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero, no final do ano de 2025.
Tal descoberta inaugurou um movimento da oposição ao governo, que tenta a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e um pedido de impeachment para Moraes.

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