Corte salarial, perseguição, adoecimento e promessas vazias. Cinco meses após a morte da professora, a rescisão segue sem pagamento e a gestão responde com silêncio e lero-lero
A morte da professora Ionae Silva Santos não pode ser tratada como um caso isolado ou como simples fatalidade. É o retrato de uma gestão que adoece pessoas, empurra direitos com a barriga e silencia diante da dor.
Segundo o esposo, Washington Santos, a perseguição começou após a eleição do PT, quando ele passou a trabalhar em uma secretaria. A partir daí, Ionae teve o salário cortado sem justificativa e foi obrigada a voltar ao trabalho em condições injustas. Mesmo faltando apenas três meses para concluir o mestrado, não houve qualquer sensibilidade.
Ela passou mais de um ano sem receber tudo o que tinha direito. Entrou na Justiça, mas vivia sob tensão constante. Ganhava uma liminar hoje, perdia amanhã. Todos os dias acompanhava o sistema judicial, e cada decisão contrária tinha reflexo direto na saúde. Ionae já enfrentava diabetes, pressão alta e asma. A cada golpe jurídico, o corpo sentia.
De um salário superior a sete mil reais, passou a sobreviver com pouco mais de dois mil. O impacto não foi só financeiro. Foi emocional, psicológico e físico. No dia 11 de abril, ao saber que mais uma vez a liminar havia sido derrubada, o corpo não reagiu. Pouco tempo depois, ela faleceu.
Cinco meses após a morte, a família segue abandonada. Washington relata que tentou diversas vezes contato com o secretário de Administração e Inovação, mas recebeu apenas respostas evasivas. A informação repassada é que a rescisão de Ionae estaria “na fila”, condicionada ao pagamento de um precatório da educação que não tem qualquer previsão de liberação. Segundo ele, essa mesma promessa foi usada para enganar professores durante a eleição e até hoje não saiu do discurso.
Enquanto direitos trabalhistas ficam esquecidos, a gestão encontra milhões para gastar com Carnaval e projetos eleitorais. Para Washington, o recado é claro: quando é festa, há pressa. Quando é dignidade do servidor, sobra lero-lero.
Ionae não morreu do nada.
Morreu pressionada, perseguida e esgotada.
E Itabuna precisa parar de fingir que isso é normal.

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