As oscilações no dólar, seja para cima ou para baixo, costumam mexer (e muito) com o bolso dos brasileiros. Além de afetarem quem está juntando dinheiro para uma viagem, elas impactam o caixa de muitas empresas e até a nossa inflação (já que muitos itens que se consome no país e até insumos do que é produzido aqui são cotados em dólar). No entanto, o Banco Central tem algumas “cartas na manga” para lidar com momentos em que o câmbio sai do controle. Algumas das principais ferramentas são o swap cambial e o swap cambial reverso.
Mas não deixe os nomes feios assustarem você. O Valor Investe te explica, de um jeito fácil e acessível, o que é e como funciona cada um deles.
O que é o “swap cambial”?
O “swap cambial” funciona como um acordo entre o Banco Central e os investidores. Nesse acordo, o BC oferece contratos que funcionam como uma espécie de “seguro” contra a variação da moeda americana. Nesse contrato está escrito, basicamente, que caso o dólar suba, o BC paga essa diferença para o investidor que comprou aquele “seguro”. Mas, se o dólar cair, aquele investidor que paga a diferença pra o BC.
Então, por exemplo, se o dólar hoje está a R$ 5,50 e sobe para R$ 6,00, o Banco Central paga ao dono daquele contrato R$ 0,50 para cada dólar envolvido no documento. Mas se o dólar cair para R$ 5,00, o investidor é quem paga R$ 0,50 por dólar para o Banco Central.
Quando o Banco Central anuncia um leilão de swap cambial, ele avisa a data, hora, a quantidade de contratos que serão ofertados e as condições gerais da operação. A partir daí, as instituições financeiras interessadas enviam suas propostas. Ou seja, quanto a instituição está disposta a pagar para o BC caso o dólar caia e quanto ela quer receber caso suba e a quantidade de contratos que ela visa comprar. A partir daí, o BC analisa as propostas recebidas e seleciona aquelas que melhor atendem aos seus objetivos.
Como isso ajuda a frear a alta do dólar?
Aqui, quem faz o trabalho é a sensação de segurança. Se um investidor está apavorado, com medo da alta do dólar, ele tende a sair correndo para comprar a moeda americana antes que suba mais. E é justamente essa corrida que força a divisa ainda mais para cima.
No entanto, se esse investidor tem um mecanismo que assegura que o Banco Central vai pagar a diferença para ele caso a moeda suba, a demanda dele por dólares diminui. Com isso, o preço do dólar não sobe tão rápido.
Quem pode contratar o swap cambial?
No Brasil, qualquer instituição financeira autorizada a operar no mercado de câmbio pode tomar um swap cambial do BC por meio dos leilões que a autoridade monetária realiza. Esses leilões são anunciados com antecedência, e as instituições interessadas devem submeter suas propostas conforme as condições estabelecidas no edital.
Se você se animou a participar desses leilões e quer mandar uma proposta ao BC no próximo que tiver, há más notícias: uma pessoa física não pode participar diretamente dos swaps cambiais ofertados pelo Banco Central.
Mas, na prática, as pessoas físicas podem se beneficiar indiretamente dessas operações. Afinal, elas têm a função de ajudar a estabilizar o mercado cambial e, portanto, podem influenciar na cotação do dólar. Quando um leilão é feito, a consequência esperada é que ele seja suficiente para “frear” a escalada da moeda ou até mesmo fazê-la cair, o que tende a beneficiar também as pessoas físicas.
E o swap cambial reverso?
Enquanto o swap cambial tradicional ajuda a conter a alta do dólar, o swap cambial reverso é usado pelo Banco Central quando há excesso de oferta de dólares no mercado e a moeda americana está em queda acentuada.
Mas afinal, por que um dólar em queda é ruim? Quando essa queda é muito acentuada ou rápida, ela pode gerar efeitos negativos para a economia, tais como:
- Desestimular as exportações (afinal, os produtos brasileiros ficam mais caros para os estrangeiros);
- Favorecer a entrada de produtos estrangeiros (e, portanto, pressionar a indústria nacional);
- Trazer desequilíbrio para o caixa de algumas empresas (especialmente as que têm receita em dólar);
- Atrair capital especulativo em excesso, o que aumenta o risco de instabilidade no mercado
Assim, o BC promove os swap cambiais reversos. Neles, o BC retira parte da oferta da moeda estrangeira do mercado e, assim, ajudando a manter o câmbio em níveis considerados mais equilibrados.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_f035dd6fd91c438fa04ab718d608bbaa/internal_photos/bs/2023/T/i/olNzwiTwCfwBTjYKTQ0w/aviao.jpg)

Deixe um comentário