Acha comum torcedores de outros clubes estarem vibrando pelos brasileiros na Copa?
— Na forma como eu vejo o esporte, acho isso absolutamente normal. Sempre torci para o Benfica e sempre queria que o Benfica ganhasse nas competições portuguesas. Mas quando eram competições europeias, eu queria que os clubes portugueses ganhassem, porque era bom para Portugal. Vejo o esporte dessa forma. E entendo que o verdadeiro torcedor que ama o futebol e o seu país, e que não fica nada atacado na sua paixão pelo seu clube específico em valorizar o outro mesmo que seja rival, só o torna mais nobre. Perceber de fato se há um torcedor que vive no Brasil, e é brasileiro a princípio, que é uma marca que está sendo divulgada diante do mundo todo. Enquanto brasileiro, acho que é um momento de orgulho para todos. Depois, há os “antis”, mas isso haverá no futebol como há na sociedade. Hoje, infelizmente, você pode fazer 50 coisas ótimas. Se faz uma que não é tão boa, é essa que vai vender, repercutir e ganhar dimensão. Nâo é um problema do futebol, mas da sociedade, e o futebol não se dissocia. Nossa sociedade hoje está assim, tal como o imediatismo. Hoje Renato Paiva é um gênio, há três dias era um burro. Hoje o jogador X é fantástico, há três dias era perneta. Isso é a sociedade em que há um esporte paralelo a todos os esportes, que é o esporte da razão. Eu quero ter a razão à força, diga o que eu disser. Muitas vezes, você fala contra o seu clube, até espero que não tenha êxito, para que eu tenha razão. Isso é um mal da sociedade que eu não sei como vai ser corrigido. Mas sei como nós, Botafogo e grupo, vivemos com isso: fechados, não ouvindo absolutamente nada que te ponha na Lua ou cá embaixo. Nós precisamos de equilíbrio. E até já contextualizando, precisamos jogar o último jogo para ganhá-lo e passar de fase, o que ainda não fizemos.

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