Quando vereadores não exercem plenamente suas funções e não tornam público o que fazem, o mandato deixa de ser fato e passa a ser impressão. Não é a população que avalia mal, é a instituição que se esconde. Onde não há transparência, não há como falar em bom mandato, apenas em narrativa conveniente.
Nos últimos dias, avaliações informais sobre a atuação dos vereadores de Itabuna passaram a circular em grupos políticos e redes sociais. O ponto central, porém, não está nas notas atribuídas, mas no motivo pelo qual avaliações diferentes acabam chegando ao mesmo resultado: a ausência de dados públicos objetivos.
Essa unanimidade perceptiva não surge por acaso. Ela nasce do fato de que muitos vereadores, além de não exercerem de forma plena suas funções legislativas e fiscalizatórias, também não fazem questão de tornar público o que efetivamente produzem. Sem informações claras, o trabalho parlamentar se dissolve em sensação, não em fatos verificáveis.
O debate real não é sobre pontuações, e sim sobre responsabilidade institucional. A Câmara Municipal de Itabuna precisa disponibilizar dados objetivos que permitam à população avaliar seus vereadores com base nas prerrogativas do cargo, como presença em sessões, projetos apresentados e aprovados, atuação em comissões, fiscalização do orçamento e votos em matérias de impacto para a cidade.
Enquanto essas informações não forem apresentadas de forma clara e acessível, qualquer avaliação continuará sendo subjetiva, guiada por impressão e afinidade política. Transparência não é discurso. É dever institucional.

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