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Professora Clélia Eugênia morre em Itabuna após apelo público por justiça e retorno ao trabalho

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Faleceu na manhã desta terça-feira a professora Clélia Eugênia de Sousa Lima, educadora concursada do município de Itabuna.Segundo informações de familiares, a causa da morte foi um infarto. Sua morte ocorre dias após a ampla circulação, nas redes sociais, de vídeos gravados por ela própria, nos quais denunciava o que classificava como demissão ilegal promovida pela Prefeitura e fazia um apelo direto às instituições públicas para que a legislação fosse respeitada.

Nos registros, Clélia se apresenta como professora concursada, com dois vínculos de 20 horas, e afirma que sua aposentadoria foi concedida de forma regular, com base no tempo de contribuição e na idade, garantindo, segundo ela, direitos adquiridos. Em tom firme e técnico, sustenta que sua exoneração violaria a Lei Municipal nº 2.442/2019 e a Emenda Constitucional nº 103/2019, que tratam da situação de servidores aposentados que permanecem na ativa.

Um dos vídeos que mais repercutiram mostra a professora já fora da sala de aula, trabalhando na lavoura como diarista, colhendo cacau e retirando baronesas. A cena chamou atenção pela força simbólica e pelo contraste evidente. Uma servidora pública concursada, com trajetória na educação, obrigada a recorrer ao trabalho braçal para garantir sua subsistência.

Ao longo dos vídeos, Clélia evita ataques pessoais. Seu apelo é institucional. Ela cobra do prefeito Augusto Castro o cumprimento das leis e direciona um pedido explícito ao Poder Legislativo, solicitando que os vereadores exerçam sua função constitucional de fiscalização do Executivo. Ao final, faz um pedido simples e contundente, a chance de voltar a trabalhar dentro da legalidade.

Sindicato confirma luta contra demissões ilegais

A gravidade do caso foi reforçada por nota oficial divulgada pelo SIMPI, sindicato que representa os professores da rede municipal. No comunicado, a entidade lamenta profundamente o falecimento de Clélia Eugênia de Sousa Lima, que atuou na Escola Municipal Lourival de Oliveira, e destaca que ela esteve na linha de frente da luta contra as demissões ilegais de professores em Itabuna.

Segundo o sindicato, mesmo após ter sido demitida, Clélia realizou novo concurso público e aguardava convocação pela Secretaria Municipal de Educação, convocação que, de acordo com a entidade, nunca ocorreu. A informação acrescenta um dado objetivo ao caso e levanta questionamentos sobre os critérios adotados pelo Executivo municipal tanto para desligamentos quanto para nomeações.

O posicionamento do SIMPI confere caráter institucional às denúncias feitas pela professora ainda em vida e amplia a responsabilidade dos órgãos públicos envolvidos, especialmente diante da ausência de respostas formais até o momento.

Silêncio institucional e perguntas sem resposta

Até agora, não houve posicionamento público da Prefeitura de Itabuna esclarecendo o caso específico da professora Clélia Eugênia, nem explicação oficial sobre os critérios jurídicos utilizados nas demissões de servidores aposentados que permaneciam na ativa. Tampouco há informação sobre eventual apuração administrativa ou resposta às denúncias amplamente divulgadas.

A morte da professora transforma seus vídeos em um registro público ainda mais grave. Deixa de ser apenas um desabafo individual e passa a representar um alerta concreto sobre segurança jurídica, respeito aos direitos adquiridos e dignidade no serviço público.

O caso deixa questões objetivas que seguem em aberto. A demissão respeitou integralmente a legislação municipal e constitucional. Houve análise individual da situação funcional da servidora. O Legislativo exerceu, de fato, seu papel fiscalizador. Quem responde agora por essa história.

Mais do que notas de pesar, o episódio exige apuração séria, transparente e responsável. Quando a lei é ignorada ou aplicada de forma seletiva, o custo quase sempre recai sobre quem menos pode se defender.

 

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