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Quando o institucional vira palanque e a fé vira atalho político

Ao acompanhar a comunicação oficial do prefeito de Itabuna, torna-se impossível ignorar um padrão que merece reflexão pública: a presença constante e cada vez mais central da esposa do gestor em eventos institucionais, agendas oficiais, cerimônias públicas e atos simbólicos do governo.

Não são aparições sociais ocasionais. Trata-se de um movimento contínuo, organizado e visivelmente estratégico.

Recentemente, um vídeo que circula nas redes reforça esse cenário. Nele, a esposa do prefeito é publicamente apresentada como “guardadora da casa”, “responsável por edificar a família” e, de forma ainda mais simbólica, como alguém cuja missão faz “a cidade sorrir feliz”. O discurso atribui a ela um papel quase institucional, ainda que sem qualquer cargo público formal.

Aqui, a discussão deixa de ser religiosa e passa a ser republicana.

Fé é expressão individual. Estado é estrutura pública. Quando linguagem espiritual é usada para legitimar protagonismo político em ambiente institucional, cria-se uma confusão perigosa entre crença, poder e projeto eleitoral.

É de conhecimento público que a esposa do prefeito é tratada como candidata do grupo governista para deputada estadual. Diante disso, a exposição recorrente, somada a discursos que a colocam como referência moral e simbólica da cidade, não pode ser vista como coincidência.

A legislação eleitoral veda o uso direto ou indireto da máquina pública para promoção pessoal. Mas antes da lei, existe um princípio maior: a igualdade democrática. Nem todo pré-candidato tem acesso ao palco institucional e à visibilidade oficial.

As perguntas que precisam ser feitas são simples:
Se não há cargo, por que há protagonismo institucional?
Se não é campanha, por que há narrativa de missão pública?
Se os eventos são do Estado, a quem eles estão servindo?

Democracia não se fragiliza apenas com ilegalidades explícitas. Ela se desgasta quando símbolos públicos passam a ser usados como atalhos políticos.

O Estado não é altar.
O cargo não é herança.
A fé não pode ser instrumento de campanha disfarçada.

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