
O que foi prioridade no fim de 2025 em Itabuna
Enquanto o discurso oficial fala em planejamento e futuro, o Diário Oficial do Município de Itabuna, edição nº 6537, publicada em 24 de dezembro de 2025, revela uma escolha objetiva de prioridades no encerramento do ano administrativo .
De um lado, o governo municipal aprovou uma série de leis tratando de reajustes, auxílios e novas vantagens financeiras para cargos comissionados, agentes políticos, conselheiros tutelares e integrantes de estruturas administrativas estratégicas. De outro, optou por prorrogar por mais um ano o Plano Municipal de Educação, instrumento central para definir metas, indicadores e compromissos concretos com a educação pública.
A Lei nº 2.741/2025 concedeu revisão geral anual de 4,68% a cargos comissionados, agentes políticos e conselheiros tutelares, além de estender o auxílio-alimentação a esses grupos, com efeitos financeiros a partir de janeiro de 2026. Os servidores efetivos, no entanto, ficaram fora da revisão, e o impacto detalhado dessas medidas não foi explicitado na publicação oficial .
Já a educação, área que exige planejamento de médio e longo prazo, recebeu tratamento diferente. Por meio da Lei nº 2.740/2025, o Executivo apenas prorrogou a vigência do Plano Municipal de Educação, alegando a ausência de aprovação do novo Plano Nacional de Educação. Na prática, isso mantém metas antigas, diagnósticos desatualizados e posterga decisões estratégicas sobre qualidade do ensino, infraestrutura escolar e valorização profissional .
A comparação é inevitável. Enquanto reajustes e benefícios avançam com rapidez, o planejamento educacional, que deveria orientar políticas públicas estruturantes, permanece em espera. Não se trata de negar direitos salariais, mas de questionar o que o governo escolhe tratar como urgente e o que aceita adiar.
Em um município com desafios históricos na educação, a prorrogação do PME não é apenas um ato administrativo. É um sinal político. E sinais também são decisões.

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