
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, afirmou nesta quarta-feira (7) que apenas o Supremo Tribunal Federal (STF) pode decidir sobre uma eventual reversão da liquidação do Banco Master.
“O processo de ‘desliquidação’ do Master não cabe ao TCU, cabe ao Supremo Tribunal Federal, porque lá tem um processo aberto”, afirmou o ministro em entrevista exclusiva à agência de notícias Reuters.
A “desliquidação” do Master é defendida pela estratégia jurídica do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. Vorcaro chegou a ser preso ao tentar deixar o país, mas foi solto em poucos dias.
A liquidação do Master foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 em meio à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura indicíos de fraudes que pode chegar a R$ 12 bilhões.
O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, determinou a realização de uma inspeção no Banco Central sobre a liquidação do Master. No despacho inicial, o relator considerou que o BC pode ter se precipitado ao autorizar a liquidação.
O BC recorreu e apontou que a ordem deveria ter sido colegiada e não individual. À Reuters, Vital do Rêgo afirmou que ainda não há elementos suficientes que comprovem a suposta precipitação do BC no caso.
“Agora, o que o TCU pode oferecer, como vem oferecendo ao Supremo, são elementos sobre a apuração da legalidade da operação”, afirmou o presidente da Corte de Contas.
A decisão de Jhonatan de Jesus gerou fortes críticas do mercado financeiro sobre a atuação do TCU na investigação. Além disso, diretores do BC foram alvos de uma série de ataques coordenados após a liquidação.
O nome mais citado nas publicações foi o do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC Renato Dias Gomes, responsável por vetar a oferta de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).

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