A atuação de um médico ginecologista condenado por estupro em primeira instância em hospital de Itabuna levantou questionamentos que vão além da gestão hospitalar e alcançam o campo político e institucional do município.
O profissional chegou a atender mulheres e gestantes na rede local de saúde e só foi afastado após a repercussão do caso na imprensa. A direção do hospital alegou, à época, que a contratação ocorreu com base em documentação formal regular. Ainda assim, o episódio expôs fragilidades nos critérios de checagem e, principalmente, na comunicação com a população feminina.
O que chama atenção é o silêncio institucional diante do impacto do caso sobre mulheres atendidas na unidade. Não houve, até o momento, nota pública de solidariedade, esclarecimento direcionado às gestantes nem manifestação política clara voltada à proteção das pacientes.
Nesse contexto, a ausência de posicionamento da primeira-dama do município também passou a ser questionada. Figura pública ativa em pautas ligadas às mulheres e com visibilidade política crescente, seu silêncio diante de um episódio que envolve diretamente a segurança feminina na saúde pública causa estranheza e reforça a cobrança por coerência entre discurso e prática.
Não se trata de ataque pessoal, mas de responsabilidade pública. Quando mulheres são expostas a riscos institucionais, o mínimo esperado é empatia, posicionamento e compromisso com a transparência.
Em casos como esse, o silêncio não é neutro. Ele comunica.

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