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Sua igreja está preparada para receber autistas? – 22/04/2025 – Evangélicos

Igrejas, em geral, são ambientes extremamente estimulantes para pessoas com autismo.

Para quem tem sensibilidade auditiva ou visual, o som alto, as luzes ou a circulação de muitas pessoas podem até desencadear uma crise.

Andar, correr ou pular pelo salão, agitar as mãos ou até mesmo emitir sons são alguns meios para se autorregular e evitar essa crise. Mas as igrejas estão preparadas para isso?

Segundo o pastor Glauco Ferreira, 39, da Igreja Metodista no Rio de Janeiro, infelizmente não.

Pai de Miguel Asafe, 15, ele relata no livro “Autismo na Igreja”, as dificuldades para conseguir congregar e expressar a sua fé após o diagnóstico do filho.

“Experimentar a acidez de ver um filho recém-diagnosticado com autismo ser vítima de um grave ato preconceituoso somente por sua condição autista e o seu jeito diferente de perceber o mundo foi a pior sensação que nós já vivemos”, conta.

Asafe foi diagnosticado em 2012, quando pouco se falava sobre o assunto e a literatura ainda era bem enxuta. “Percebemos que era necessário ser a voz dele, alguém que gritasse para garantir os seus direitos, que se levantasse como uma voz profética para proclamar a aceitação, a tolerância e a inclusão”, lembra.

Glauco, que hoje também coordena a Pastoral Nacional de Inclusão da Igreja Metodista do Brasil, promove o “Culto Azul”. Apoiado nos pilares: informação, conscientização, acolhimento e inclusão, ele viaja o Brasil oferecendo suporte e apoio, que ele e a esposa, Angelica, não tiveram no passado.

Mais do que disponibilizar abafadores sonoros ou oferecer um espaço para regulação, com poucos estímulos sensoriais, o pastor defende que a igreja deva fazer muito mais pelas famílias.

Amparar quando recebem o diagnóstico, promover visitas e encontros fora do templo, criar uma rede de apoio, além de promover a aproximação de pessoas com experiências semelhantes são algumas ações.

“Quando a igreja decide abordar essa temática, ela não só promove a educação sobre o autismo, como também se coloca como uma resposta aos dilemas sociais do tempo presente – e o autismo está incluído nisso”, afirma.

Há três anos, quando seu filho Benjamin foi diagnosticado com autismo, a advogada tributarista Sheila

Santos e o marido, Carlos Bezerra, abriram mão da liderança de um ministério para se dedicarem mais de perto ao tratamento do menino.

Assim como Glauco, Sheila também percebe que as igrejas deixam a desejar quando o assunto é inclusão.

“Muitas vezes nem as professoras da escolinha sabem lidar com as crianças. Se choram mais alto, gritam, ou se têm algum comportamento não funcional, muitas pessoas entendem como má educação”, pontua.

Ela defende que o assunto deva ser tratado abertamente, inclusive as lacunas da igreja.

Para isso, a igreja onde atua como pastora auxiliar, Voz do que Clama, no bairro Casa Verde, em São Paulo, promove rodas de mães atípicas, onde oferecem escuta, além de troca de experiências e suporte.

“A igreja precisa entender o seu papel, se adaptar para receber essas famílias, e discipular a igreja também a aceitá-las”, afirma Sheila.

No Brasil, estima-se que haja cerca de 6 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), segundo o estudo “Retratos do Autismo no Brasil em 2023″, realizado pelas startups Genial Care e Tismoo.me.

evangelicos@grupofolha.com.br


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