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Toffoli ordena envio de provas de operação da PF lacradas ao STF


Relator do caso envolvendo o Banco Master, o ministro Dias Toffoli determinou que “todos os bens” reunidos na segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), sejam enviados “lacrados e acautelados” ao Supremo Tribunal Federal (STF). O material poderá ser liberado posteriormente pelo ministro para perícia técnica da PF. No entanto, para uma pessoa familiarizada com a investigação, a determinação pode resultar na “perda de provas relevantes” para o processo.

“Esses documentos lacrados enviados ao ministro podem gerar risco de perda de provas relevantes para a investigação”, afirmou a fonte, sob condição de anonimato.

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A decisão do ministro de determinar que todo o material apreendido fosse encaminhado diretamente ao STF intocado — retirando a custódia da Polícia Federal — é vista com reservas também por especialistas em Direito Constitucional.

“DETERMINO que todos os bens e materiais APREENDIDOS por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferidas e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser LACRADOS e ACAUTELADOS diretamente na sede do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, até ulterior determinação”, escreveu o ministro

Medida excepcional

Para o advogado André Marsiglia, trata-se de uma medida de “caráter excepcionalíssimo” no processo penal brasileiro, uma vez que a PF é o órgão técnico legalmente incumbido de realizar perícias, além de armazenar e preservar provas físicas e digitais.

Na avaliação do criminalista Márcio Nunes, ao centralizar esse acervo probatório no STF, o Judiciário “ultrapassa sua função típica” de controle de legalidade e cria um ponto sensível para a investigação. Segundo ele, o tribunal não dispõe da estrutura técnica de um órgão pericial para garantir a integridade e a cadeia de custódia dos materiais, o que pode gerar questionamentos futuros por parte das defesas.

“Essa escolha sinaliza uma desconfiança institucional profunda e abre espaço para alegações de manuseio inadequado fora do ambiente pericial padrão, com potencial impacto sobre a validade das provas”, afirma o criminalista.

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com a assessoria de imprensa do STF para comentar a crítica sobre a excepcionalidade da medida. O espaço segue aberto para manifestação.

Nova fase da operação

Nesta quarta, a Polícia Federal (PF) deflagrou a segunda fase da operação contra o esquema de fraudes envolvendo o Master.

A PF vasculhou imóveis de Vorcaro, familiares e aliados, no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens.

Banco Master está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB) que podem chegar a R$ 12 bilhões, o que culminou na decretação da liquidação pelo Banco Central

O Master se consolidou como uma maiores crises do sistema financeiro nacional. Desde a virada do ano, novas revelações demonstram a gravidade das fraudes envolvendo a instituição financeira, evidenciando a proximidade de autoridades em Brasília com a diretoria e os negócios do banco.



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