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uso recreativo de óxido nitroso está ligado a danos cerebrais e morte súbita


A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, está alertando os americanos sobre o uso recreativo de óxido nitroso, que está crescendo de forma constante e pode ser fatal, especialmente entre os jovens.

Esses produtos são baratos e facilmente encontrados em postos de gasolina, lojas de conveniência, tabacarias e grandes redes varejistas, incluindo o Walmart. Eles também são vendidos online.

Como professor assistente de saúde pública que estuda esses produtos, sei o quanto eles podem ser perigosos.

O uso recreativo e contínuo de óxido nitroso pode causar uma ampla gama de problemas graves de saúde e, em alguns casos, levar à morte.

Uma longa lista de possíveis danos

A lista de efeitos colaterais graves do uso frequente é extensa. Inclui: comprometimento cognitivo, problemas de memória, alucinações, dores de cabeça, tontura, distúrbios de humor, coágulos sanguíneos, fraqueza nos membros, dificuldade para caminhar, neuropatia periférica, disfunções intestinais ou urinárias, degeneração da medula espinhal e danos cerebrais irreversíveis. A deficiência de vitamina B12 é comum e pode levar a danos nos nervos e no cérebro.

As mortes atribuídas ao abuso de óxido nitroso nos EUA aumentaram mais de 100% entre 2019 e 2023; nesse período de cinco anos, as visitas aos departamentos de emergência aumentaram 32%.

No total, mais de 13 milhões de americanos já fizeram uso indevido de óxido nitroso pelo menos uma vez na vida. Isso inclui crianças: em 2024, pouco mais de 4% dos estudantes do oitavo ano e cerca de 2% dos do décimo segundo ano disseram já ter experimentado inalantes. O óxido nitroso está entre os inalantes mais abusados devido ao seu baixo custo, fácil acesso e apelo comercial – um dos sabores do gás se chama “chiclete rosa”.

Festas com gás hilariante

Por causa de brechas legais na Lei da FDA, o óxido nitroso continua sem regulação. Além disso, os cientistas nos EUA realizaram relativamente poucas pesquisas sobre seu abuso, em parte porque o público ainda percebe a substância como inofensiva, especialmente em comparação com o álcool.

Os poucos estudos sobre o uso de óxido nitroso se limitam principalmente a relatos de caso – ou seja, relatos sobre pacientes individuais. Embora limitados em escopo, esses relatos são alarmantes.

Estudos mais completos estão disponíveis no Reino Unido e na Europa, onde a demanda pelo produto é ainda maior. Um exemplo: ao longo de um período de 20 anos, 56 pessoas morreram na Inglaterra e no País de Gales após o uso recreativo da substância. Tipicamente, as mortes ocorrem por hipóxia – falta de oxigênio no cérebro – ou por acidentes enquanto a pessoa está intoxicada com o gás, como colisões de carro ou quedas.

Os americanos conhecem os efeitos do óxido nitroso há séculos. Antes de se tornar um recurso medicinal, o óxido nitroso era popular em “festas do gás hilariante” no final dos anos 1700.

Os médicos começaram a usá-lo nos EUA por volta da metade do século 19, depois que Horace Wells, um dentista, assistiu a um espetáculo – chamado “Entretenimento com Gás Hilariante” – e observou o efeito anestésico do óxido nitroso em voluntários do público. Coincidentemente, Wells precisaria remover um dente do siso no dia seguinte, então resolveu testar o gás durante o procedimento. O óxido nitroso funcionou: Wells disse que não sentiu dor. A partir daí, o uso medicinal do gás foi sendo gradualmente aceito.

Hoje, o óxido nitroso é usado com frequência em consultórios odontológicos. É seguro sob supervisão médica, atuando como sedativo leve, analgésico e anestésico. O óxido nitroso também beneficia alguns pacientes com transtornos psiquiátricos graves, incluindo depressão resistente ao tratamento e transtorno bipolar. Pode ainda ajudar no manejo da ansiedade e da dor.

Proibições e restrições

Não há restrições federais de idade para a compra de produtos com óxido nitroso, embora alguns estados tenham aprovado limites etários.

Em maio de 2025, quatro estados americanos – Louisiana, Michigan, Alabama e Califórnia – já haviam proibido o uso recreativo do óxido nitroso, e mais de 30 estados estão trabalhando em legislações para proibir ou ao menos restringir a venda desses produtos. Além disso, várias ações judiciais contra os fabricantes estão em andamento.

Pesquisas mostram que programas de prevenção nas escolas ajudam a evitar que crianças usem esses produtos. O mesmo vale para o rastreamento precoce de pacientes feito por médicos da atenção primária e de saúde mental. Quanto mais cedo a intervenção, maiores as chances de sucesso com terapias contínuas.

Com legislação, regulação, educação e intervenção adequadas, o abuso de óxido nitroso pode ser reduzido ou interrompido. Caso contrário, esses produtos – com suas embalagens chamativas e campanhas atraentes nas redes sociais que mascaram seus perigos – continuarão sendo uma ameaça crescente para nossos filhos.

* Andrew Yockey é professor de Saúde Pública, Universidade do Mississippi, nos EUA.

* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o original.



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