Como diria Nelson Rodrigues, um dos mais icônicos colunistas que passaram pelas páginas do GLOBO, “100 anos não são 100 dias”. O centenário do jornal, fundado por Irineu Marinho e com primeira edição publicada em 29 de julho de 1925, é a chance de revisitar muitas histórias — e também a própria história do Brasil. O projeto “O século do GLOBO” narra a trajetória do periódico, resgatando bastidores curiosos e momentos fundamentais da imprensa brasileira por meio de depoimentos e recursos de dramaturgia. A estreia aconteceu na última terça-feira (8), na TV Globo e no Globoplay, e mais três episódios serão exibidos depois da novela “Vale tudo”.
Confira abaixo detalhes de cada um dos episódios, que tem, nas partes dramatizadas, Tony Ramos e Eduardo Sterblicht como Roberto Marinho.
Em 1925, Irineu Marinho lança o jornal vespertino O GLOBO, mas morre apenas 23 dias depois. O filho mais velho, Roberto Marinho, assume o comando em 1931 e dá seguimento ao ideal de um veículo moderno e ousado. Sob sua liderança, o jornal atrai grandes nomes da imprensa e da cultura, como Mario Filho e Nelson Rodrigues, firmando sua vocação para o protagonismo editorial.
Como outros veículos que fizeram oposição a Getúlio Vargas, o jornal é atacado por apoiadores do presidente após o seu suicídio. Vêm o golpe de 1964 e o alinhamento com os militares, mas Roberto Marinho protege, nos bastidores, jornalistas com posições à esquerda. Com sua atenção voltada à ascensão da TV Globo, ele entrega a direção do jornal a Evandro Carlos de Andrade, que ajuda a elevar a qualidade da redação e a ampliar sua independência editorial.
A abertura política dá novo fôlego ao GLOBO, que se consolida como o principal jornal do Rio. A cobertura de eventos marcantes como o naufrágio do Bateau Mouche, os escândalos que levaram ao impeachment de Collor e a chacina de Vigário Geral reforçam sua relevância jornalística. Em 1995, Roberto Marinho convida Evandro Carlos de Andrade para chefiar o jornalismo da TV Globo.
Após a morte de Roberto Marinho, em 2003, seus filhos assumem a liderança do Grupo Globo e conduzem a transição para o jornalismo do século XXI. Em meio à ascensão das redes sociais, da polarização política e da crise do modelo impresso, o GLOBO aposta na digitalização e se consolida como o maior jornal do país.

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