A balança comercial brasileira fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões, uma queda de 7,9% em relação a 2024 pressionada principalmente pela redução das vendas aos Estados Unidos após o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump. Mesmo com exportações recordes, o impacto das barreiras comerciais americanas e o avanço forte das importações reduziram o saldo final do comércio exterior.
De acordo com os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta terça (6), as exportações totais somaram US$ 348,7 bilhões em 2025, crescimento de 3,5% na comparação anual. Ainda assim, o resultado não foi suficiente para compensar a perda de mercado em países estratégicos e o aumento das compras externas.
“Tivemos um recorde nas exportações mesmo com o tarifaço americano e as dificuldades geopolíticas”, afirmou o vice-presidente da República e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin (PSB).
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Alckmin também atribuiu o resultado às políticas do governo federal voltadas à competitividade externa. Logo após a imposição de restrições pelos Estados Unidos, negociadores brasileiros saíram em busca de novos mercados para compensar as perdas.
“O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior”, disse.
O petróleo liderou a pauta exportadora em 2025, com US$ 44 bilhões em vendas, seguido por soja, com US$ 43 bilhões, e minério de ferro, com US$ 26 bilhões. Café e carne bovina desossada e congelada completaram a lista dos principais produtos exportados, com US$ 15 bilhões e US$ 14 bilhões, respectivamente.
Agro dispara nas exportações
Segundo o Mdic, a agropecuária foi o setor com maior crescimento percentual nas exportações, avançando 7,1% e alcançando US$ 77,6 bilhões. A indústria de transformação cresceu 3,8%, enquanto a indústria extrativa recuou 0,7%, mesmo com a força do petróleo.
Entre os produtos com maior expansão, a carne bovina teve alta expressiva de 42,5%, somando US$ 16 bilhões em vendas externas. O café cresceu 21%, chegando a US$ 14,8 bilhões, e o ferro-gusa avançou 7,9%, alcançando US$ 5,7 bilhões.
Os Estados Unidos registraram a maior queda entre os principais compradores do Brasil em 2025, com retração de 6,6% nas importações de produtos brasileiros. O recuo é atribuído diretamente ao tarifaço adotado pelo governo Trump, que encareceu produtos brasileiros no mercado americano.
Em contrapartida, países da América do Sul ampliaram fortemente as compras do Brasil ao longo do ano. A Argentina liderou o crescimento, com alta de 31%, puxada principalmente pelo setor automotivo.
O Mercosul como bloco importou 26% mais produtos brasileiros em 2025, reforçando a dependência regional como alternativa aos mercados mais fechados. O Canadá também se destacou, com aumento de 14,8% nas compras em relação a 2024.
Importações também frearam superávit
O governo reconhece que o tarifaço americano influenciou o resultado da balança, mas não explica sozinho o desempenho final. O principal fator de pressão sobre o superávit foi o crescimento acelerado das importações ao longo do ano.
As importações brasileiras subiram 6,7% em 2025 e atingiram o recorde de US$ 280,4 bilhões, segundo o Mdic. O avanço é associado a períodos de crescimento econômico, que elevam a demanda por máquinas, equipamentos e insumos industriais.
Motores e máquinas lideraram as compras externas, com alta de 29,6% e total de US$ 10,9 bilhões. Medicamentos cresceram 24,8%, chegando a US$ 7,5 bilhões, enquanto os agrotóxicos avançaram 16,7%, somando US$ 5,6 bilhões.
Para 2026, o Mdic projeta recuperação do saldo comercial, com superávit estimado entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. A expectativa é de exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.


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