A sessão itinerante da Câmara na Vila de Itamaracá começou e terminou cercada de contradições.
Foi realizada no meio da rua, sem estrutura adequada, sem divulgação prévia de pauta e sem transmissão ao vivo, o que viola o princípio básico de publicidade de qualquer ato legislativo.
Além disso, a gravação só apareceu no canal oficial às 05h44 da manhã, segundo o próprio YouTube.
Publicar uma sessão legislativa na madrugada, muito tempo depois do encerramento, escancara a falta de transparência.
Sessão pública não é conteúdo para ser escondido, tratado como irrelevante ou disponibilizado quando a cidade inteira está dormindo.
Atos legislativos precisam ser imediatos, acessíveis e visíveis.
A Câmara escolheu o oposto.
A pergunta que fica é simples:
Por que uma sessão que deveria ser pública só foi colocada no ar de madrugada?
Democracia se faz à luz do dia.
O que é publicado na madrugada desperta dúvida, não confiança.
A fala do presidente
Por volta de 1h10min no vídeo, o presidente da Câmara, Manuel Porfírio, declarou:
“Não embarquem na politicagem. Queira ou não queira a oposição, o prefeito até 2028 é Augusto Castro.”
Depois completou:
“Queira ou não queira a oposição, o presidente da Câmara é Manuel Porfírio.”
E encerrou:
“Então eu vou ensinar a oposição a fazer política. Vão atrás de emenda com seus deputados.”
Lembrar que o mandato do prefeito vai até 2028 não é problema.
O problema está no uso de uma sessão oficial da Câmara para:
- atacar quem fiscaliza
- promover discurso político
- reforçar protagonismo pessoal
- desviar o foco da comunidade que deveria ser o centro da reunião
Sessão itinerante não é palanque.
É um instrumento de democracia.
O que o presidente chamou de “oposição” não são vereadores. É o cidadão que fiscaliza.
Quando o presidente afirma que “a oposição não quer” ou que vai “ensinar a oposição a fazer política”, ele não está se referindo a vereadores oposicionistas, porque não existe bancada formal de oposição na Câmara.
O que ele chama de “oposição” são:
- cidadãos
- jornalistas
- lideranças comunitárias
- ativistas
- políticos sem mandato
Todos exercendo o direito constitucional de fiscalizar, denunciar e cobrar transparência.
Ou seja, para ele, oposição é qualquer pessoa que não se cala.
Nesse contexto, sua fala sobre “ir atrás de emendas” se torna ainda mais distorcida.
Cidadão não capta emenda.
Jornalista não capta emenda.
Liderança comunitária não capta emenda.
Somente deputados e senadores destinam emendas, e elas só são executadas se o prefeito quiser.
Portanto, exigir que “a oposição traga emenda” é criar uma narrativa falsa para tentar desqualificar quem fiscaliza.
Fiscalizar não é trazer emenda. É proteger o dinheiro que já veio.
E dinheiro não faltou.

Segundo o Tesouro Nacional, Itabuna recebeu:
R$ 76.912.631,81 em emendas entre 2021 e 2025
A pergunta é inevitável:
- Onde esse dinheiro foi aplicado?
- Quais obras foram concluídas?
- Quais contratos foram acompanhados?
- Onde estão as prestações de contas?
- A Câmara fiscalizou alguma execução de forma efetiva?
Até agora, não.
As emendas chegaram.
O que não chegou foi transparência.
O povo precisa de verdade, não de discurso
No mesmo dia em que um cidadão foi impedido de pregar em praça pública, a Câmara realizou uma sessão no mesmo tipo de espaço, com improviso, pouca transparência e discurso político no lugar de prestação de contas.
A questão é direta:
Por que a praça é pública para restringir o cidadão, mas é pública para promover sessão política sem transparência?
Democracia exige regras iguais para todos.
Respeito ao povo exige publicidade real, não vídeo postado no dia seguinte, quando o debate já morreu.

Creio que já está na hora da verdadeira Oposição fazer um dossiê para 2026 e 2028 colocar nas propagandas eleitorais os desmandos dessa gestão. Sabemos que o povo esquece. Bom registrar tudo que essa gestão vem fazendo de desmando. Além de vídeos, fotos pegar depoimentos assinados por pessoas que foram vítimas dessa gestão como: enchentes, feiras livres, artistas que ficaram sem receber, pessoas que perderam seus entes queridos por falta de atendimento no hospital, mães que foram prejudicadas com Educação de seus filhos, professores que ficaram sem seu emprego etc. Assunto e matéria não faltam. "O povo esquece mais a oposição Lembra.".
Vânia Maria.