O que aconteceu hoje em Itabuna merece atenção de toda a cidade. Um pregador evangélico, que há anos realiza evangelismo em praças, foi impedido por agentes da SESOP de continuar pregando sozinho em via pública. O argumento dado pelos fiscais foi de que ele precisaria de um alvará para falar de Deus no meio da praça.
Esse episódio ultrapassa qualquer debate religioso e nos coloca diante de uma pergunta incômoda: desde quando expressar a própria fé virou atividade que exige licença da prefeitura?
A Constituição Federal é clara. A liberdade religiosa é garantida e o livre exercício dos cultos e expressões de fé também. Pregar a Bíblia em uma praça, sem caixa de som, sem palco, sem estrutura de evento, não configura uso especial do espaço público. É um ato pessoal. É uma manifestação de consciência. É um direito inviolável.
Se a prefeitura começa a exigir alvará até para um cidadão falar de Deus em voz normal, o que virá depois? Autorização para cantar? Para se reunir? Para opinar? Para discordar? Para existir?
O que vimos não foi fiscalização. Foi abuso. Foi desconhecimento da lei. Foi tentativa de silenciar um indivíduo que estava apenas exercendo um direito básico que nenhum agente poderia restringir.
Itabuna enfrenta problemas sérios. Falta médico em posto. Falta remédio em farmácia. Falta transparência em contratos. Falta gestão nas áreas essenciais. Mas sobrou zelo para impedir um homem sozinho de pregar na praça.
Quando o poder público não consegue organizar o que é sua obrigação, ele tenta controlar o que não é. O resultado é esse: cidadãos comuns sendo intimidados enquanto exercem direitos que a própria Constituição protege.
O caso precisa ser apurado. A população precisa reagir. Nada justifica a tentativa de transformar fé em infração administrativa. Nada autoriza a prefeitura a exigir alvará para um ato individual de expressão religiosa.
Hoje foi um pregador. Amanhã pode ser qualquer cidadão que ouse exercer sua liberdade.
Itabuna precisa escolher de que lado está. Do lado da Constituição ou do lado do autoritarismo disfarçado de fiscalização.

Infelizmente, lamentável, ridículo e digo mais: é anre- constitucional.